terça-feira, 25 de março de 2014

O mal vem de fora?

Isto é um artigo que vem fazer uma coisa impensável nos dias que correm no que diz respeito ao "desporto"-rei. Sim, desporto está com aspas mas é simples de perceber porquê.
Alguém sabe o que quer dizer desportivismo? Aquela coisa de respeitar o jogo e os adeptos rivais e de toda a gente disfrutar o espetáculo... basicamente aquilo que está a fazer falta ao futebol.

Ora este artigo vai falar das principais vítimas do mau-estar que esta falta de desportivismo provoca... os árbitros.

Mas é aqui que entra o impensável... um artigo que defende os árbitros... não é estranho isso?

Pois, mas vou tentar na mesma. Em Portugal foi instituido na sociedade que os árbitros portugueses são maus e incompetentes e corruptos e fala-se até em virem estrangeiros para cá e fica logo tudo resolvido.
Mas, coincidência ou não, os árbitros portugueses são dos mais reconhecidos no estrangeiro... esquisito...

Mas se em Portugal os árbitros são tão maus se calhar íamos buscar uns espanhóis, como o do clássico deste fim de semana...

Ou então, uns franceses. Daqueles que são tão bons que, por exemplo, ainda na semana passada não tiveram nenhuma influência no Lyon-Monaco, ou se calhar até tiveram.

Italianos então nem pensar, eu costumo ver alguns jogos da Liga Italiana e digo que se eles vierem para cá, em vez de discutir arbitragem em programas "desportivos" (cá estão as aspas outra vez e aqui acho que é tão óbvio que nem vou explicar), tinha que ser em ringues de boxe.

Os ingleses ao que dizem são bons... tão bons que quando um jogador faz de guarda-redes, fica em campo e vai para fora outro jogador em vez dele.

Então se calhar os nossos não são assim tão piores que os outros. Mas então porque parecem assim tão maus?

Se calhar tem a ver com aspetos que vai-se a ver e têm pouco a ver com futebol.
E daí o título deste artigo.
Não posso dizer isto com toda a certeza mas penso que em mais nenhum país se examina tanto e tão extensivamente as arbitragens como aqui. Mas o problema nem é tanto por aí, o problema é quem faz essas análises.
Noutros países como Inglaterra e Itália por exemplo, costuma-se debater os jogos logo a seguir ao jogo por pessoas que percebem bem o jogo, ou seja, ex-jogadores de futebol. E faz sentido porque, parecendo que não mas eles são capazes de perceber daquilo (pelo menos a maioria deles).

Aqui quem vemos a comentar? Pessoas que provavelmente nunca deram um chuto numa bola. Claro que há jornalistas que mesmo nunca tendo jogado, percebem do assunto mas toda a gente sabe que o que mais se vê é o que dá polémica.

Só que, como em quase tudo em televisão, o que dá polémica raramente passa de lixo televisivo. E aqui estou a falar de programas como aqueles que dão no cabo às segundas à noite (como é óbvio não vou fazer publicidade a nenhum deles, até porque não me pagam para isso).
Infelizmente, é este tipo de programa que chega mais às massas e que tolda mais a opinião de pessoas que, nalguns casos nem vêm os jogos e tiram as suas conclusões o ver isso.

Agora eu deixo um desafio: tentem imaginar um programa destes em que não se refira uma única vez a palavra "arbitragem". Óbvio que o programa não ia durar mais que 5 minutos, já a contar com o intervalo.

Pior ainda são os dirigentes que deviam ser uns simples gestores dos interesses dos seus clubes mas o que na prática se vê é que são os principais incendiários do clima que se vive em Portugal. E não estou a falar apenas da guerra de comunicados que apareceram há pouco tempo. Isso é apenas um exemplo entre muitos outros que já se vivem há anos.

Já agora, mais um desafio (é só mais este): tentem imaginar um dirigente a vir falar em público e não falar nem em arbitragens nem mandar "farpas" ao rivais. Aposto que ainda é mais difícil que o desafio anterior, não?

Só para acabar, e porque este artigo já vai longo e quem está a ler isto deve ter mais que fazer... queria deixar este cenário: se todos os árbitros fizessem greve enquanto este clima de hostilidade para com os árbitros nao acalmar, os jogos teriam que ser apitados pelos... capitães das equipas. Ora como aqui não iriam haver árbitros a "meter o bedelho" , a partir daí os jogos iam ser todos bem ajuizados, certo? Hmm, se calhar...

3 comentário(s):

Anónimo disse...

Para mim é simples, os árbitros erram e vão continuar a errar seja qual for a sua nacionalidade pois pura e simplesmente arbitrar não é uma tarefa assim tão simples e as coisas pouco simples quando exercidas por humanos contêm sempre imperfeições.

No futebol estrangeiro temos o exemplo de que não importa a nacionalidade com algumas arbitragens de fazer arrepiar mas o ambiente que se vive em portugal à volta dos árbitros faz parecer os nossos piores.

Tiago

25 de março de 2014 às 16:48
Pedro MFC disse...

Totalmente Apoiado.

25 de março de 2014 às 18:41
Gabriel JP disse...

Nota a mostrar a verdadeira "Verdade Desportiva"... totalmente de acordo com o que disseste.
Grande Artigo!

25 de março de 2014 às 18:44

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