Clubes com História: Stade de Reims
A história de um ex-colosso
Ainda as competições europeias davam os primeiros passos quando surgia no norte de França uma potência efémera do futebol continental. Era o lendário Stade de Reims, de Batteux, Kopa e Fontaine, trave mestra dos primeiros êxitos
do futebol francês.
O começo
Fundado originalmente em 1911, sob a denominação de Societé
Sportive du Parc Pommery (local da cidade de Reims onde se produzia champanhe –
ou não estivesse ela na região de Champagne-Ardenne, onde o espumante é imagem
de marca), apenas 20 anos mais tarde iria adoptar o nome que o eternizou nos
anais do futebol europeu. O clube não tardou também em adoptar o
profissionalismo, conceito até então inexistente no pouco estabilizado campeonato
gaulês.
Seria em plena II Guerra Mundial que chegou ao clube o jovem
Albert Batteux, nascido e criado em Reims. Originalmente médio ofensivo e
capitão, não tardou a convencer o presidente Henri Germain a atribuir-lhe o
comendo técnico da equipa, talvez sem imaginar que estava a lançar a primeira
pedra do “Grand Reims” que se revelaria nas décadas seguintes. Batteux fez-se
então rodear dos melhores jogadores da região, dando-lhes uma oportunidade
única de subsistir tendo o futebol como actividade, isto numa altura em que o
clube começava a ser uma referência cada vez maior em termos organizativos,
principalmente para quem ambicionava ter uma carreira de nível.
A ascenção ao topo
Com uma astúcia táctica que fugia aos padrões da época, nos
quais jogar com apenas dois defesas ou cinco avançados era prática recorrente,
Batteaux montou uma máquina que seria referência para as épocas seguintes,
principalmente com o contributo de um jovem franco-polaco de seu nome Raymond
Kopaszewski – Kopa para os amigos – resgatado às minas da sua cidade natal,
onde trabalhou toda a infância.
E seria já com Kopa, coadjuvado por figuras não menos
importantes como Jonquet, Appel, Golavacki e, posteriormente, Fonatine, que
chegariam os êxitos: aos três títulos nacionais conquistados na primeira metade
da década de 50, juntar-se-ia a vitória na Taça Latina de 1953, em Lisboa, a as
presenças nas finais da recém-criada Taça dos Campeões Europeus, ambas perdidas
para o Real Madrid de Di Stefano e Gento, em 1956 e 1959 – com a curiosidade
de, na última, Kopa ter estado do lado de lá da barricada.
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| Stade de Reims em 1958/59 |
A decadência
No entanto, a década seguinte ficaria marcada pelo início da
eclosão do clube. O título francês de 1962 revelar-se-ia o canto do cisne de
toda uma geração e um ano depois Batteaux sairia definitivamente do clube, marcando
o fim da gloriosa era. Dois anos depois, com as ausências dos principais
jogadores, entre lesões e castigos, o Reims cairia finalmente no segundo
escalão. Voltaria na época seguinte, mas já sem qualquer resquício do brilho de
outrora.
Os anos 70 ficariam marcados por uma tentativa de
revitalização do clube, que ainda logrou obter classificações aceitáveis
(nomeadamente um 5º lugar em 1976, melhor classificação em 13 anos), muito
devido à acção do goleador argentino Carlos Bianchi, que substituira Delio
Onnis, vendido ao Mónaco. Dois anos depois, o presidente Bazelaire decreta a
bancarrota e, sem condições para formar um plantel competitivo, o clube viu-se
relegado para a segunda divisão em 1979, com apenas três vitórias em toda a
época e a lanterna vermelha do campeonato. Não voltaria nos 33 anos que se
seguiram.
Era apenas o começo de uma longa travessia. Se nos anos 80 o
clube ainda foi cliente habitual da Ligue 2, o início da década seguinte ficou
marcado pela grande derrocada. Uma dívida superior a 50 milhões de francos
atiraria o Reims para o 6º escalão e obrigaria a uma ligeira mudança de
identidade, com o acrescento da palavra Champagne à sua denominação oficial. Em
1999, já depois de subir vários degraus, o clube recuperaria o velho nome e
três anos depois regressa ao profissionalismo, com a promoção ao segundo
escalão. Depois de mais 10 anos de altos e baixos, seria já em 2012 que o
histórico Stade de Reims selou o seu regresso à Ligue 1. 33 anos depois.
Na actualidade
Actualmente, o clube procura estabilizar-se no principal
escalão do futebol francês. Em termos financeiros, tem vindo a solidificar-se
desde a criação de uma SAD, em 2002, completamente detida por accionistas
privados. Com efeito, o orçamento para o futebol tem vindo a subir de forma
progressiva, passando dos 5 milhões em 2002/2003 para o dobro após cinco épocas
e cifrando-se presentemente nos 24 milhões de euros, contando já com as verbas
resultantes dos direitos televisivos. Já desportivamente, o Reims atravessa igualmente a
melhor fase das últimas décadas, situando-se num interessante 5º lugar à oitava
jornada. Da equipa orientada por Hubert Fournier, destaca-se a presença do ex-
V.Guimarães Kamel Ghilas (irmão de Nabil Ghilas, que actualmente representa o
Moreirense).
Se estamos perante mais um efémero período ou de um regresso
em força de um clube mítico, o tempo o dirá. Certo é que a influência e o
legado do emblema rémois ficarão para sempre marcados de forma indelével na
história do futebol gaulês: para além dos feitos internacionais do clube,
referência ainda para o facto para a presença de seis jogadores, para além do
próprio treinador Batteaux, na selecção da França terceira classificada no
mundial de 1958 e de o mentor do primeiro triunfo gaulês em provas internacionais
de selecções (Europeu de 1984 – à custa de Portugal), Michel Hidalgo, ter sido
também ele membro pleno do Grand Reims dos anos 50 e púpilo de Batteaux.
O Estádio
Desde os seus primórdios, o Stade de Reims disputa os seus
jogos em casa no estádio Auguste-Delaune, que desde a sua inauguração em 1935
(então como Stade Municipal) já sofreu várias remodelações , a última das quais
em 2008. O nome homenageia Auguste Delaune, antigo dirigente desportivo e
membro do partido comunista francês, morto pela Gestapo em plena II Guerra
Mundial. Recebeu já este ano o último jogo particular da selecção francesa rumo
ao Euro 2012 (2-0 à Servia).







2 comentário(s):
Muito bom artigo King Lion :)
13 de outubro de 2012 às 17:10boa recordação sem dúvida
13 de outubro de 2012 às 19:57Enviar um comentário