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sábado, 13 de outubro de 2012

Clubes com História: Stade de Reims



A história de um ex-colosso


Ainda as competições europeias davam os primeiros passos quando surgia no norte de França uma potência efémera do futebol continental. Era o lendário Stade de Reims, de Batteux, Kopa e Fontaine, trave mestra dos primeiros êxitos do futebol francês. 




O começo

Fundado originalmente em 1911, sob a denominação de Societé Sportive du Parc Pommery (local da cidade de Reims onde se produzia champanhe – ou não estivesse ela na região de Champagne-Ardenne, onde o espumante é imagem de marca), apenas 20 anos mais tarde iria adoptar o nome que o eternizou nos anais do futebol europeu. O clube não tardou também em adoptar o profissionalismo, conceito até então inexistente no pouco estabilizado campeonato gaulês.

Seria em plena II Guerra Mundial que chegou ao clube o jovem Albert Batteux, nascido e criado em Reims. Originalmente médio ofensivo e capitão, não tardou a convencer o presidente Henri Germain a atribuir-lhe o comendo técnico da equipa, talvez sem imaginar que estava a lançar a primeira pedra do “Grand Reims” que se revelaria nas décadas seguintes. Batteux fez-se então rodear dos melhores jogadores da região, dando-lhes uma oportunidade única de subsistir tendo o futebol como actividade, isto numa altura em que o clube começava a ser uma referência cada vez maior em termos organizativos, principalmente para quem ambicionava ter uma carreira de nível.

A ascenção ao topo 

Albert Batteux
Com uma astúcia táctica que fugia aos padrões da época, nos quais jogar com apenas dois defesas ou cinco avançados era prática recorrente, Batteaux montou uma máquina que seria referência para as épocas seguintes, principalmente com o contributo de um jovem franco-polaco de seu nome Raymond Kopaszewski – Kopa para os amigos – resgatado às minas da sua cidade natal, onde trabalhou toda a infância.

E seria já com Kopa, coadjuvado por figuras não menos importantes como Jonquet, Appel, Golavacki e, posteriormente, Fonatine, que chegariam os êxitos: aos três títulos nacionais conquistados na primeira metade da década de 50, juntar-se-ia a vitória na Taça Latina de 1953, em Lisboa, a as presenças nas finais da recém-criada Taça dos Campeões Europeus, ambas perdidas para o Real Madrid de Di Stefano e Gento, em 1956 e 1959 – com a curiosidade de, na última, Kopa ter estado do lado de lá da barricada.
Stade de Reims em 1958/59

A decadência

No entanto, a década seguinte ficaria marcada pelo início da eclosão do clube. O título francês de 1962 revelar-se-ia o canto do cisne de toda uma geração e um ano depois Batteaux sairia definitivamente do clube, marcando o fim da gloriosa era. Dois anos depois, com as ausências dos principais jogadores, entre lesões e castigos, o Reims cairia finalmente no segundo escalão. Voltaria na época seguinte, mas já sem qualquer resquício do brilho de outrora.

Carlos Bianchi - o ultimo ídolo
Os anos 70 ficariam marcados por uma tentativa de revitalização do clube, que ainda logrou obter classificações aceitáveis (nomeadamente um 5º lugar em 1976, melhor classificação em 13 anos), muito devido à acção do goleador argentino Carlos Bianchi, que substituira Delio Onnis, vendido ao Mónaco. Dois anos depois, o presidente Bazelaire decreta a bancarrota e, sem condições para formar um plantel competitivo, o clube viu-se relegado para a segunda divisão em 1979, com apenas três vitórias em toda a época e a lanterna vermelha do campeonato. Não voltaria nos 33 anos que se seguiram.

Era apenas o começo de uma longa travessia. Se nos anos 80 o clube ainda foi cliente habitual da Ligue 2, o início da década seguinte ficou marcado pela grande derrocada. Uma dívida superior a 50 milhões de francos atiraria o Reims para o 6º escalão e obrigaria a uma ligeira mudança de identidade, com o acrescento da palavra Champagne à sua denominação oficial. Em 1999, já depois de subir vários degraus, o clube recuperaria o velho nome e três anos depois regressa ao profissionalismo, com a promoção ao segundo escalão. Depois de mais 10 anos de altos e baixos, seria já em 2012 que o histórico Stade de Reims selou o seu regresso à Ligue 1. 33 anos depois.

Na actualidade

Actualmente, o clube procura estabilizar-se no principal escalão do futebol francês. Em termos financeiros, tem vindo a solidificar-se desde a criação de uma SAD, em 2002, completamente detida por accionistas privados. Com efeito, o orçamento para o futebol tem vindo a subir de forma progressiva, passando dos 5 milhões em 2002/2003 para o dobro após cinco épocas e cifrando-se presentemente nos 24 milhões de euros, contando já com as verbas resultantes dos direitos televisivos. Já desportivamente, o Reims atravessa igualmente a melhor fase das últimas décadas, situando-se num interessante 5º lugar à oitava jornada. Da equipa orientada por Hubert Fournier, destaca-se a presença do ex- V.Guimarães Kamel Ghilas (irmão de Nabil Ghilas, que actualmente representa o Moreirense).

Se estamos perante mais um efémero período ou de um regresso em força de um clube mítico, o tempo o dirá. Certo é que a influência e o legado do emblema rémois ficarão para sempre marcados de forma indelével na história do futebol gaulês: para além dos feitos internacionais do clube, referência ainda para o facto para a presença de seis jogadores, para além do próprio treinador Batteaux, na selecção da França terceira classificada no mundial de 1958 e de o mentor do primeiro triunfo gaulês em provas internacionais de selecções (Europeu de 1984 – à custa de Portugal), Michel Hidalgo, ter sido também ele membro pleno do Grand Reims dos anos 50 e púpilo de Batteaux.




O Estádio

Desde os seus primórdios, o Stade de Reims disputa os seus jogos em casa no estádio Auguste-Delaune, que desde a sua inauguração em 1935 (então como Stade Municipal) já sofreu várias remodelações , a última das quais em 2008. O nome homenageia Auguste Delaune, antigo dirigente desportivo e membro do partido comunista francês, morto pela Gestapo em plena II Guerra Mundial. Recebeu já este ano o último jogo particular da selecção francesa rumo ao Euro 2012 (2-0 à Servia).

Estádio Auguste-Delaune na actualidade


BI  do clube:

Nome: Stade de Reims
Estádio: Auguste-Delaune (com capacidade para cerca de 22 mil espectadores)
Presidente: Jean-Pierre Caillot
Treinador: Hubert Fournier

Principais jogadores
Raimond Kopa
Just Fontaine 
Lucien Muller,
Dominique Colonna 
Robert Jonquet
Carlos Bianchi

Palmarés: 
6 campeonatos franceses
2 taças de França 
1 Ligue 2
5 Supertaças de França (Trophée des Champions)
National (3º escalão)








2 comentário(s):

Portista-Português disse...

Muito bom artigo King Lion :)

13 de outubro de 2012 às 17:10
Redceltic disse...

boa recordação sem dúvida

13 de outubro de 2012 às 19:57

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