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terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Opinião: Só há futebol em Espanha?


Ontem, para além da Bola de Ouro e de tantos outros prémios, ficamos a conhecer o onze do ano da FIFA. Todos eles do campeonato espanhol, a maioria deles do Barcelona e Real Madrid e um colombiano do Atlético de Madrid. Isto leva-me a perguntar se só em Espanha há futebol?

Antes de mais, este artigo de opinião em nada põe em causa a escolha de melhor jogador e treinador do ano. Dos intervenientes neste prémio, só Guardiola não merecia na minha opinião.

Agora, olhando para aquela foto de cima, vejo que todos ficam bem ali. Todos os que ali estão são fenomenais no que fazem. Mas também fico com a sensação que talvez houvesse gente que ficasse melhor ali. Penso que há jogadores que fizeram por merecer estar naquela fotografia.

Começando pela defesa, Iker Casillas esteve muito bem em 2012. Títulos atrás de títulos e boas exibições. Mas penso que Buffon ou Petr Cech talvez também merecessem. Até porque o ano passado não foi o melhor do guardião espanhol. Depois surge Daniel Alves. O brasileiro também não esteve no seu melhor e eu via Philipp Lahm como o candidato principal, pelo que fez no Bayern e na seleção.
Os centrais escolhidos foram Piqué e Sergio Ramos. Para mim, os espanhóis não são os dois melhores. E até dou o exemplo de 3 jogadores que talvez merecessem mais: Pepe é para mim o melhor do Mundo na sua posição. É o melhor do Real Madrid e daí eu não concordar com a eleição de Sergio Ramos. O que ele fez no Real Madrid, mas principalmente no Euro merecia a distinção. A prestação do luso-brasileiro foi quase perfeita na Polónia e na Ucrânia. Depois de Pepe, sugiro como alternativa o belga Kompany. Está transformado num "senhor jogador". O capitão do City é praticamente intransponível e a voz de comando numa equipa ainda algo desorganizada. Mas a fraca prestação do City nas competições europeias e o não-apuramento da Bélgica para o Euro faz com que Kompany não figure neste 11. Por último, Mats Hummels. É a grande referência defensiva do Borussia e fez um excelente europeu. Ainda é novo e, talvez por isso, não seja colocado ao mesmo nível dos outros. Mas um dia fará parte, de certeza, do 11 FIFA.
Quanto à eleição do lateral-esquerdo, nada a dizer. Talvez Jordi Alba tenha sido o que mais se aproximou, mas Marcelo esteve melhor e merece o prémio.

No meio-campo, fico com a ideia que falta um senhor italiano: Andrea Pirlo. O Euro que fez principalmente, diz-me que devia estar no lugar de Xabi Alonso. Mas a época na Juventus não fica atrás. Xabi Alonso fez uma boa época, mas aqui temos quee admitir que Pirlo foi melhor. Penso também que o costa-marfinense Yaya Touré, o italiano Claudio Marchisio e o alemão Mesut Ozil merecem que lhes seja dada uma palavra. Se substituíssem alguém no onze,  talvez tivesse de ser Xavi ou Iniesta. E por isso percebe-se as suas ausências. Mas merecem menções honrosas pelas excelentes épocas realizadas.

O ataque é mesmo o setor mais consensual. Messi e Ronaldo porque são os dois melhores do planeta e Falcao, por todos os golos e a sua influência no ano do Atlético de Madrid. Uma pequena referência para Robin van Persie. O jogador que carrega equipas às costas não vê sempre o seu trabalho ser devidamente reconhecido. Se tivesse de incluir alguém neste 11 que não os primeiros três, sem dúvida que o escolhido seria o holandês.

Parece, pelo onze do ano, que a Liga Espanhola é a melhor do Mundo. Não é. A melhor é, para mim, a Premier League. Mas é em Espanha que está a maioria dos melhores jogadores. Muito devido a Barcelona e Real Madrid. Mas também há futebol e jogadores fora destes dois. E talvez seja altura para que quem vota perceba isso. Há futebol fora de Espanha.

2 comentário(s):

Drama disse...

O grande problema é que foram os fãs a votar, houve uma votação no site da FIFA. Esta aqui é da inteira responsabilidade dos adeptos !
Muito bom artigo, cumprimentos

8 de janeiro de 2013 às 14:30
Atlas disse...

O melhor onze mundial foi escolhido de acordo com as instruções de Platini que não usa as melhores ferramentas na arbitragem por motivos económicos.
Desta forma nem sequer precisam de tradutor para que o treinador possa comunicar efectivamente - é que bons tradutores pagam-se caros.

8 de janeiro de 2013 às 15:05

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