A queda de um mito
Lance Armstrong venceu o Tour sete vezes, tornando-se assim caso único no mundo.Antes havia vencido a morte quando o seu corpo e a sua mente conseguiram derrotar uma doença supostamente fatal...
De repente admite que se dopou contariando o que sempre havia afirmado.
O mito caiu...
Nascido na cidade de Plano, no Texas a 18 de setembro de 1971, Lance Edward Armstrong começou por praticar natação e, aos 13 anos apaixonou-se pelo triatlo. Mas o seu talento revelava-se essencialmente no ciclismo. Aos 21 anos, venceu o Campeonato Mundial de Estrada.
Pouco tempo depois numa etapa do Tour, morre o seu companheiro Fabio Casartelli. Lance, sabendo que o seu colega queria arriscar a vitória naquela etapa, tudo fez para conquistar a vitória na etapa seguinte e conseguiu o que pretendia. Nos derradeiros metros antes de cortar a meta, levantou os braços para o céu dedicando a vitória ao seu amigo enquanto chorava compulsivamente.
Era um ciclista de alto nível, mas que nunca tinha vencido nenhuma grande competição por etapas. Era o jovem líder da Motorola Racing Team.
Aos 25 anos, anunciou que estava doente.
Um dia, durante um treino, cuspiu sangue. Ignorou o fato durante semanas até que tossiu sangue novamente.
Exames feitos. Diagnóstico definitivo: cancro num testículo com metástases gástricas, pulmonares e no cérebro. Foi então obrigado a Suspender a carreira e foi submetido a tratamentos médico-cirurgicos nas melhores clínicas dos EUA. Lance foi por entretanto avisado que tinha 15% de probabilidades de sobreviver e se isso acontecesse, as suas hipóteses de voltar a ser ciclista de alto nível novamente eram de 5%.
A meio do tratamento recebeu a visita dos seus companheiros de equipa e do seu diretor desportivo da altura. Pensou que estavam ali para lhe dar apoio. Enganou-se. Estavam lá para o avisar que estava despedido (Havia uma cláusula no contrato que determinava que o atleta não poderia passar mais de 6 meses sem mostrar resultados expressivos). Nesse momento o seu mundo parecia acabar... Mas Armstrong não era de desistir... Lutou pela vida como se estivesse a subir os Alpe d'Huez e foi recompensado por isso...
Cinco cirurgias (sendo duas na cabeça) e um ano de tratamento depois recebeu alta.
Foi então declarado curado e nesse momento criou a "Fundação Lance Armstrong", entidade criada para ajudar a combater a doença que quase lhe havia tirado a vida. Queria ajudar outros a terem a mesma sorte que havia tido. A partir daí, o americano escreveu vários livros sobre a sua história, participou em filmes e tornou-se um ícone para os portadores da terrivel patologia que lhe havia sido diagnosticada anos antes.
Por essa altura resolveu pôr-se em cima da bicicleta novamente e percebeu que conseguia pedalar.
Contrariando todas as recomendações dos médicos começou a treinar mesmo não tendo equipa, até que foi convidado a juntar-se à recém-formada U.S. Postal, equipa patrocinada pelos correios americanos.
Em 1998, os organizadores do Tour de France – a maior, mais difícil e mais clássica competição do mundo do ciclismo – convidaram a sua equipa para participar na competição, talvez com a intenção de dar apoio moral a Lance e fazer disso um exemplo.
Resultado: Em 2005, aos 34 anos de idade, o outrora quase morto, incapacitado, humilhado pela equipa Motorola, que foi convidado para o Tour talvez por pena e que havia sido considerado velho para regressar ao ciclismo, venceu o Tour de France pela sétima vez consecutiva, o que talvez o classificava como o maior desportista vivo.
Pelo meio teve marcos históricos de grande humanismo e desportivismo como quando após apanhar um fugitivo na subida final de uma etapa o deixou vencer, abdicando do bónus em tempo que a vitória lhe daria de forma a valorizar o esforço do adversário de circunstância ou quando, após queda de um colega seu num contra-relógio por equipas mandou parar toda a equipa até que o companheiro se recompusesse.
Abandonou em glória...
Alguns anos mais tarde regressou ao Tour, mas sem o mesmo sucesso tendo no entanto conseguido ainda um 3º lugar numa das suas últimas participações na maior prova de ciclismo do mundo. No entanto, os últimos anos da carreira do americano foram marcados por acusações de doping. Em 2005, começaram as suspeitas de que teria usado substâncias proibidas. Urina congelada do ciclista teria sido analisada e o resultado apontou para o uso de Erythropoietina. Várias polémicas foram levantadas a partir daí, mas sem provas concretas, Armstrong não chegou a ser punido.
Novas acusações surgiram em 2011 quando se retirou definitivamente. Dois seus ex-colegas de equipa revelaram que o ídolo americano se dopava, mas lance negou dizendo que tudo não passava de inveja e que havia passado por centenas de controles sem nunca acusar positivo, o que realmente era verdade.
No entanto, em junho de 2012, a Agência Antidoping dos Estados Unidos (Usada) acusou-o formalmente do consumo de substâncias ilícitas, baseando-se em amostras sanguíneas de 2009 e 2010 e nos testemunhos de vários ciclistas, ex-colegas de equipa. Em outubro, Armstrong foi oficialmente banido do ciclismo pela União Ciclista Internacional (UCI). O americano desiste nesse momento de se defender tanto da acusação da Usada como da da UCI e viu os seus sete títulos do Tour retirados, além da medalha de bronze nos Jogos de Sydney 2000. O ex-ciclista continuou, apesar de tudo isto a negar o uso de qualquer substância proibida até dia 17 de janeiro de 2013, dia em que assumiu o doping durante quase toda sua carreira numa entrevista televisiva.
Cai assim um dos maiores ídolos desportivos de sempre...



4 comentário(s):
então o que ele é é grande lutador.
21 de janeiro de 2013 às 14:08Grande história!
21 de janeiro de 2013 às 14:24há muito que não tinham por aqui um artigo tão exaustivo. Deviam fazê-lo mais vezes.
21 de janeiro de 2013 às 16:28Apesar da queda do mito, fica a lembrança dos grandes atos enquanto ser humano que lutou por aquilo em que acreditou.
22 de janeiro de 2013 às 11:29Enviar um comentário