Longe dos Holofotes
Ao ver estas fotos, perguntará o leitor: o que têm em comum André Leão, André Cunha e Luís Leal? Para além de jogarem em clubes de classe média/média-baixa da Liga Portuguesa, aparentemente nada de especial os une. Mas se pensarmos melhor, reparamos que são jogadores pouco conhecidos do público em geral, mas com futebol nos pés para vôos mais altos. São os chamados jogadores subvalorizados!
Vejamos então André Leão, médio do Paços de Ferreira. Começou a carreira no rival Freamunde, onde fez a formação. Foi contratado para jogar no FC Porto B, teve uma curta passagem pelo Beira-Mar e acabou, como tantos outros do nosso futebol, por ir parar à Roménia, mais propriamente ao Cluj. Em Janeiro de 2010, o então treinador pacense Paulo Sérgio avançou para a sua contratação e logo André Leão "pegou de estaca" no 11.
Jogando numa das posições mais ingratas do jogo, André Leão é dos melhores médios-defensivos do futebol português. Dono de uma boa constituição física, é discreto a jogar, mas está sempre no sítio certo. Ajuda a equipa no trabalho "invisível" e, para além disso, possui uma excelente qualidade de passe e cabeceamento razoável. Aos 27 anos, terá possibilidades de subir na carreira? Com certeza que sim. Apesar de que em Portugal, a idade não é tanto um posto, mas mais um handicap. É sem dúvida um dos jogadores a seguir com atenção, até pelos grandes. A qualidade está lá. É só saber apreciá-la e tirar o melhor dela!
Outro caso de um André pouco conhecido é o de André Cunha. Apesar da sua situação ser diferente da de André Leão (Cunha tem 34 anos e, por isso, está em final de carreira), é mais um jogador sem grande fama nos grandes palcos, mas com uma qualidade fantástica e inegável. O que nos leva a perguntar: porque é que só na época passada este médio chegou ao principal escalão do futebol português? Com uma excelente visão de jogo e qualidade de passe, sabe também posicionar-se e aparece muito facilmente na zonas de finalização, apesar de ter conseguido apenas 2 golos a época passada (esta época já leva mais dois). É estranho que, tendo começado a sua carreira em 96/97 (AD Ninense), tenha andado quase toda a carreira nas divisões secundárias do nosso futebol. Se tivesse chegado à 1ª Liga mais cedo, talvez tivesse conseguido vôos mais altos. Assim, já perto do fim da carreira, poderá ajudar o Gil Vicente com boas exibições e alguns golos, a manter-se na Liga Zon Sagres. Não deixa de ser um jogador a acompanhar atentamente.
O caso de Luís Leal é um pouco diferente. Desde cedo visto como uma promessa, integrava as equipas de formação do Sporting, até que foi dispensado. Aí, ingressou no Cova da Piedade, tendo-se estreado como sénior aos 19 anos. A partir daí teve uma carreira em ascenção, sendo que chegou ao principal campeonato português na época transacta, pela União de Leiria, onde fez 19 jogos e 4 golos em todas as competições. Com a conhecida crise leiriense, Luís Leal saiu e regressou ao Estoril (clube onde esteve antes da passagem por Leiria). Está a fazer um início de época muito bom, já com 4 golos, naquela que espera que seja a sua época afirmação. Com um bom posicionamento na zona do ponta-de-lança, é rápido e mostra dotes de goleador, apesar de não ser um ponta-de-lança nato. Com 25 anos, vai muito a tempo de mais subidas na carreira, o que facilmente acontecerá se continuar com as boas exibições que o têm caracterizado este ano. Começa a ser um nome cada vez mais conhecido do nosso futebol e tem tudo para chegar longe. Esperemos para ver o que faz.





2 comentário(s):
Bom post.
15 de outubro de 2012 às 17:02Espero que o Luis Leal faça uma grande epoca no meu estoril. Quanto ao André Cunha, com 29/30 anos passou pelo estoril e via nele um Rui Costa das divisoes inferiores. Curioso que so apartir desta idade começou a dar nas vistas.
Tonidatasca
Bom artigo,
15 de outubro de 2012 às 17:25é bom reconhecer o bom trabalho que tem vindo a fazer este "desconhecidos"..
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