Benfica e Sporting, Uma avenida que divide dois Mundos
Pouco mais de três quilómetros separam o Estádio da Luz do Estádio de Alvalade. Uma via rápida divide os estádios de Benfica e Sporting, mas os dois clubes de Lisboa têm um autêntico mundo a separá-los. Afinal, no futebol a proximidade é quase sinónimo de rivalidade e Águias e Leões são o exemplo perfeito disso. Há mais de 100 anos que o verde e o vermelho –as cores da bandeira portuguesa – protagonizam um duelo cujas emoções ultrapassam, e muito, as ruas da capital de Portugal.
Os ecos do derby lisboeta atravessam fronteiras e chegam ao resto da Europa, África e América do Sul, ou onde quer que haja um português ou descendente de portugueses.
Os ecos do derby lisboeta atravessam fronteiras e chegam ao resto da Europa, África e América do Sul, ou onde quer que haja um português ou descendente de portugueses.
As origens
O primeiro daquele que ficaria conhecido por tantos nomes como o “clássico lisboeta”, “derby eterno” ou “clássico da Segunda Circular” – nome pelo qual é conhecida é avenida que divide os dois estádios – não foi bem um duelo entre Sporting e Benfica. Tudo porque o Benfica ainda não existia. Chamava-se Sport Lisboa e só um ano mais tarde se tornaria em Sport Lisboa e Benfica depois de uma fusão com o clube Grupo Sport Benfica, uma associação dedicada ao atletismo.
Corria o ano de 1907 e, na pré-história do futebol, os jogadores alinharam perante os adeptos de casaco comprido e só depois a bola começou a rolar. A competição ainda não era o mais importante e, quando as duas equipas estavam empatadas a um golo, caiu uma enorme chuvada que fez com os jogadores do Sporting abandonassem o encontro. Só depois de uma longa insistência do árbitro inglês Burtenshaw é que os atletas leoninos aceitaram voltar a jogar e beneficiaram do primeiro de muitos episódios caricatos que marcariam décadas de derbies lisboetas.
Os Leões venceram por 2-1 e o autor do golo que definiu o resultado foi nem mais, nem menos do que Cosme Damião, fundador do Benfica. Abria-se caminho à era dourada do Sporting que, nas décadas de 40 e 50, foi o clube que mais campeonatos conquistou, muitos deles abrilhantados por uma quinteto de ataque tão afinado que ficou conhecido para a posteridade como “Os Cinco Violinos”. Jesus Correia, Vasques, Albano, Peyroteo e Travassos marcaram a época que antecedeu a era Eusébio. A primeira grande estrela internacional do futebol português teve, aliás, um papel muito importante na rivalidade Benfica-Sporting.
Os dois clubes disputaram a contratação do jogador nascido em Moçambique ao Sporting de Lourenço Marques – actual capital Maputo – e nem o facto do clube moçambicano ser uma filial sportinguista impediu que o nome Eusébio se tornasse, praticamente, um sinónimo de Benfica.
Bicampeão europeu pelas Águias na década de 60 confirmou todo o seu talento na Copa do Mundo da FIFA de 1966, na qual foi o melhor marcador com nove golos que ajudaram Portugal a conseguir a sua melhor classificação de sempre, um terceiro lugar.
Números, alegrias e desilusões
Se são os pequenos pormenores que marcam os grandes clássicos do futebol mundial, os números servem, porém, para verificar o peso da história. Benfica e Sporting já disputaram 284 jogos oficiais com o equilíbrio que seria de esperar: as Águias ganharam 124 vezes, os Leões 102 e ainda houve tempo para 58 empates.
Mas não é a estatística que alimenta a paixão do futebol. São os momentos e o que maior alegria há do que derrotar o grande rival ou, pelo menos, impedir a festa do grande rival? Perante o maior número absoluto de títulos do rival (68 contra 46) Não há sportinguista que se preze que não recorde a goleada por 7-1 conseguida numa tarde de chuva em 1986/87, época em que o Benfica até foi campeão.
A resposta do adepto encarnado não se fará esperar. E se o triunfo por 6-3 conseguido em Alvalade (1993/94) não chegar, pode sempre recordar a penúltima jornada do campeonato 1999/2000. O Sporting só precisava de vencer em casa para conquistar o primeiro título português em 18 anos e que melhor cenário do que consegui-lo perante o arqui-rival Benfica, a atravessar um ano complicado.
Mas as Águias não foram a Alvalade participar na festa e ganharam por 1-0 com um golo marcado a dois minutos do final. Os sportinguistas tinham de roer as unhas durante mais uma semana. Acabaram por festejar na última ronda, com a alegria contida durante quase duas décadas, mas não houve quem não pensasse: contra o Benfica teria sido ainda melhor...
O presente
O Sporting entrava a ganhar no novo milénio, mas estes últimos anos não tem sido particularmente felizes para os grandes de Lisboa. Com apenas dois campeonatos cada, Águias e Leões tem assistido, bem de perto, à superioridade do F. C. Porto (sete títulos nacionais desde 2000), mas nem isso retira importância ao momento sempre que as duas equipas se cruzam.
Pelo contrário. Seja em que competição for, com ou sem títulos em jogo, o derby eterno à escala portuguesa será sempre especial. Afinal, e mesmo que os adeptos leoninos e benfiquistas estejam noutra qualquer parte do Mundo, sabem que o rival está ali bem perto. Afinal, e quase literalmente, é só atravessar uma avenida.



3 comentário(s):
sem dúvida o dérby lisboeta é muito emocionante e apaixonante.
21 de outubro de 2012 às 19:13neste momento o sporting está muito abaixo das expectativas. vamos ver se consegue ultrapassar esta má fase.
Força Benfica
na semana a seguir a essa goleada sofrida pelo Benfica de 7-1, ganhamos 5-0 para a taça de Portugal, no qual fizemos a dobradinha :)
21 de outubro de 2012 às 19:165-0 a quem?
21 de outubro de 2012 às 19:18Enviar um comentário